sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O discurso de Zé Ninguém

Zé Ninguém queria
Ser ouvido no congresso
Escreveu um belo discurso
Mas não obteve sucesso
Porque logo souberam
Se tratar de um protesto

Antes de acabar o mundo
Zé Ninguém pensou:
Quem sabe eles ouçam
A voz do eleitor!
Ele era ingênuo
Eleitor não tem valor

Zé Ninguém e-mail até mandou
Pra meia dúzia de deputados
Mas ninguém lhe retornou
Teve seu discurso Censurado
A alternativa que lhe restou
Foi ter seu texto publicado

Ele criou um blog
E postou seu discurso
Divulgou na rede social
E logo tomou um susto
A repercussão foi nacional

Zé Ninguém em seu discurso
Disse somente a verdade
Aquilo que não querem ouvir
Pois se trata da calamidade
Em que está a política do país
Que em sua raiz é só maldade

Zé ninguém discursava
Em nome da igualdade
Que tanto idealizava
E pedindo dignidade
Pelo povo ele clamava
por Justiça e seriedade

Em seu discurso criticava
Os privilégios e altos salários
Que os parlamentares recebem
Se aproveitando do erário
Enquanto o povo recebe o mínimo
Salário medíocre e ordinário

Ele tocava o dedo na ferida
Do político que é desonrado
Que não tem respeito pela vida
Do cidadão que é explorado
Que dia após dia, luta e briga
Pra colocar comida no prato

Zé Ninguém pedia melhor educação
Salário digno ao professor
Que trabalha muito e sem condição
Defendendo o ensino com amor
Em escolas ruins e maltratadas
Sem prestígio e sem valor

Falava da saúde doente
Sem hospitais e médicos
Onde todo dia morre gente
Por falta de atendimento
Nessa situação indecente
Está o povo no sofrimento

Zé ninguém no fim sugeria
Que os políticos usassem
O serviço público do país
Para que eles provassem
Das mazelas que ele diz
E na pele comprovassem
A situação do povo infeliz

Ele também lembrava do povo
Que a muito tempo não protestava
Desde o impeachment do Collor
Quando muitos de caras pintadas
Saíram as ruas pedindo a saída
Daquele que ao povo enganava

Mas Zé Ninguém dias depois
Se deparou com uma grande surpresa
De repente o povo acordara
Saindo da inércia e da moleza
Resolvendo ir às ruas reclamar
Da corrupção e da pobreza

De repente o povo acordou
Então Zé Ninguém muito feliz
Assistindo a TV até chorou
Vendo o povo unido do seu país
Nas ruas como ele sonhou
Lutando como ele sempre quis

Zé Ninguém esperançoso
Começou até a acreditar
Que esse sistema duvidoso
Poderia talvez mudar
Através da força do povo
Que para ruas foi lutar

Junto com Zé Ninguém
Milhões esperam o mesmo
Que nosso povo viva bem
Com dignidade e respeito
Sem pobreza e sem desdém
Como a todos é de direito

Giano Guimarães


Ridículo mundo

Ridículo
Mundo
Abismo
Profundo
Que gera
Fome
Neste vil
Cenário
Imundo
Tanta comida
No celeiro
Mas no mundo
Inteiro
Há fome
Enquanto isso
Uma parte
Consome
A outra parte
Não come
Apenas some
A riqueza
Do mundo
Que é de todo
Mundo
Pois apenas uns
Gatunos
Se apropriam
De tudo
Explorando
O pequeno
Destilando
Seu veneno
Enganando
A massa
Provocando
A desgraça
Da maioria
Que sustenta
A minoria
Que arrota
A alegria
Da barriga
Cheia,
Às custas
Da dor
Alheia
Ridículo
Mundo.

Giano Guimarães



Insignificância

Nossa insignificância é extrema
Nesses dias de pura ganância
Ninguém de ninguém tem pena
O que prevalece é a arrogância
Daqueles que só querem a riqueza
E do outro esquecem a importância.

Giano Guimarães


Vandalismo

Em meio à onda de protestos
Surge uma nova discussão
Sobre alguns atos cometidos
Se se trata de vandalismo ou não
Os manifestantes são bandidos?
Ou os bandidos no poder estão?

Vandalismo é o que fazem
Ao cidadão trabalhador
Que paga os impostos em dia
E não tem de volta o que pagou
Não tem nada de qualidade
Nada está ao seu favor

Vandalismo é a precariedade
Em que se encontra a educação
É também a falta de seriedade
Com que se trata o cidadão

Vandalismo é a imoralidade
Da absurda corrupção
Praticada pelos políticos
Que sujam nossa nação

Giano Guimarães


Política armada

Política armada
De quem friamente
Dá a ordem, "apaga"
Eu, você e o indigente

Política insana
De quem lentamente
Propaga a fama
Da ordem aparente

Política atroz
Que mata a fome
Do lobo feroz
Que ao povo consome

A política mente,
E está correta a mente
Que pensa e sente
Seu mal latente.

Giano Guimarães


Ficha Suja

O político se diz um home Santo
Não bebe, não fuma e nem come
Vai pro palanque até em prantos
Mas é só acabar a eleição e ele some

Depois que faz suas cagadas
Lá no cargo em que se elegeu
Continua dizendo: não fiz nada!
E que nada do que tem é seu

O cabra tem a ficha mais suja
Do que pau de galinheiro
Mas ninguém lhe prende
Por conta do seu dinheiro
Que de tanto que rende
Tem que mandá pro estrangeiro

Essa é a velha política brasileira,
Ano após ano e tudo fica como tá
O político ruim, só na mamateira
E o povo vivendo a Deus dará

Giano Guimarães




Pequenos grandes pequenos

A cidade é pequena
O mundo é pequeno
Muitas mentes são pequenas
A minha casa é pequena

O governo é pequeno
O poder é grande
O pequeno é pequeno
A política é pequena

A politicagem é grande
A honestidade é pequena
Do povo tiram o couro
O tempo todo, sem pena.

Giano Guimarães


O palhaço deputado

No Brasil se elege o palhaço
Dizendo o povo não ter opção
Pois é melhor eleger o palhaço
Do que votar no ladrão

O palhaço perguntou ao palhaço:
O que é que faz um deputado federal?
O palhaço respondeu: não sei!
Mas te mostro no congresso nacional!

O povo achou lindo e engraçado
Riram até não aguentar mais
E na votação ganhou folgado
De tanto o verde ser apertado

O palhaço conseguiu o que queria
Foi o candidato mais votado
Resolveu os problemas da família
E agora é um Senhor deputado

A democracia foi respeitada
Mas às vezes é maltratada
Dizem que foi voto de protesto
Mas neste caso eu contesto
Pois mesmo sendo honesto
Brincou com todo o resto

Giano Guimarães



Carros x Pão

Você aí, pra lá e pra cá
Se exibindo de camaro
E eu aqui no meu ford ka
Isso é só vaidade meu caro

Carros se vão como combustível
Você se gaba do seu carrão
Mas sem razão, isso é incompreensível
Num país que pra muita gente falta pão

Prefiro não ser visto
Se tenho que ter carro pra isso
De relações interesseiras estou farto
Já me bastam os políticos

Se alguém me quiser de verdade
Será a pé ou de jumento
Pois isso prova lealdade e amizade
Diferente do oportunismo nojento

No vazio das letras sobre carros
Deixo a minha sem pretensão
De ficar rico ou ganhar moedas
Quero apenas sua atenção
Para o que diz o poeta:
Amor de verdade fica
Carros e dinheiro se vão.

Giano Guimarães




Vida de rei

E aí, me diz como é ser rei
Como é fazer parte da aristocracia
Como é estar acima da lei
E ainda dizer que vive na democracia

É, estou me referindo a você deputado
A você excelentíssimo senador
A você governador do estado
Que adora ser chamado de Doutor

Pois é, me digam como é, porque não sei
Pois meu salário não dá pra passar o mês
Enquanto os seus se igualam aos dos reis
O pobre vive dia a dia penando na escassez.

Giano Guimarães




Jardim Decadente

513 rosas no jardim:
Quantas ainda são
Regadas pela água
Límpida da razão?

Quantas estão
Frondosas e vermelhas?
Quantas estão murchas
Já doentes e velhas?

Quantas ainda exalam
Um perfume agradável?
Quantas ainda possuem
Uma beleza admirável?

As abelhas zumbem
Voam procurando pólen
No jardim sucumbem
Lentamente e morrem.



Giano Guimarães




Pesadelo da casa imprópria

50 metros quadrados
Resume um sonho comum
Que é de ter um espaço
Mas é como ter espaço nenhum

Essa pequena casa própria
Que nem é a de nossos sonhos
Na verdade é imprópria
E nos gera pesadelos medonhos

O pesadelo de ficar pagando
Tijolos por mais de trinta anos
Que só terminaremos de pagar
Já quando estivermos babando

Recebi a chave com felicidade 
Mas só vou terminar de pagar
Na esquecida terceira idade
À que nem mesmo sei se vou chegar

Parece até loucura entrar
Num financiamento tão insano
Mas se não fosse assim 
Não iria conseguir rezando

A construtora a ergueu 
Pela metade de seu preço
E eu fico aqui pagando caro
Pra ter meu próprio endereço

E a especulação imobiliária
Do latifundiário urbano
Vai explorando a necessidade
Dos irmãos seres humanos

Que lutam pra conseguir um lar
Mesmo parecendo casas de pombos
Trabalham dia e noite sem parar
Sem perceber que estão sob escombros

Os escombros da dignidade
Que só lá em cima é garantida
A uma pequena parte da sociedade
Que finge não existir gente sofrida

E lá no bairro dos engravatados
Com 5000 metros quadrados
Vive o rico em sua mansão
Enquanto os pobres enfileirados
Vivem como bichos na prisão.

Giano Guimarães




O ser político

O homem é um animal político
Como o filósofo fazia menção
A política está em todo lugar
Até no manual da televisão

Em casa, na família, na escola
Na igreja, no partido na associação
Na fábrica, na congregação, na obra
No esporte, na liberdade e na prisão

Existe política de boa vizinhança
E a política do não vendo fiado
Existe a política da desconfiança
E até a política do desalmado

E na hora do emprego na repartição
Uma velha e conhecida política aparece
Aí entra em cena, a política do pistolão
Que ajuda a alguns, mas prejudica uma porção

Existe a política da escola
E a política da alienação
Existe a política da bola
E a política do circo e pão

Tem política de repressão
Que tenta até tirar o direito
À liberdade de expressão
E ao cidadão negar o direito
De falar a multidão
Existe a política da oposição
Que nunca está errada
Existe também a da situação
Que da verdade é apossada

Políticas parecidas
E bem diferentes
Políticas democráticas
Políticas subservientes

São tantas políticas quantos são
Os (des)interesses da população
Política da união e do amor
E a Política da divisão e do terror

Existe o politicamente correto
E a política do jeitinho brasileiro
Existe a política do que ético
E a do que não respeita o respeito.

Giano Guimarães


Assim deveria ser

A política deveria dar ao povo
Uma justa e devida representação
No entanto, o que acontece
É a desvirtude de sua razão

Ela deveria promover o bem coletivo
Zelar pelo bem estar do cidadão
Oferecer ao povo o respeito merecido
E não servir apenas de corrimão
Pra subirem ao paraíso e desfrutarem
Daquilo que é tirado da população.

Giano Guimarães


O politiqueiro

Seu Verbalino desde cedo
Com política resolveu mexer
Seguindo os caminhos do pai
Da política decidiu viver

Foi estudar na capital
Sobre leis muito se inteirou
Mas voltando pra sua cidade
Em politicagem se formou

Nessa escola foi aluno aplicado
Seu primeiro cargo foi vereador
Com um discurso fino e aprumado
Convencia fácil o eleitor

Mas sua honestidade
Só ficava na teoria
Pois nos negócios da cidade
Só se via pioria

A exemplo de seu pai
Seu Verbalino fez carreira
Foi vereador, prefeito e deputado
E Senador é sua atual cadeira
Ficou conhecido por todo lado
Por sua tamanha roubalheira

Toda prática ruim ele fazia
Comprava voto e verba desviava
Empregava parentes a revelia
O povo carente sempre enganava
Prometia tudo e não cumpria

Seu Verbalino perseguia
O cidadão que nele não votava
Depois da eleição demitia
E no lugar outro colocava

Seu Verbalino não tinha consciência
Do prejuízo que ao povo trazia
Pois quando roubava levava à falência
Os serviços que população carecia

Tirava do povo a dignidade
A saúde, a educação e a moradia
Com arrogância e sem humildade
Fez politicagem até seu último dia

Mas um dia seu Verbalino adoeceu
E as pressas ao hospital correu
Chegando lá em coma permaneceu
E um sono profundo lhe acometeu

E num sonho seu Verbalino
Se viu um pobre trabalhador
Só ganhava um salário mínimo
Vivia labutando de pintor

Um dia precisou ir ao médico
Cinco filas ele pegou
E só um mês mais tarde
A consulta ele marcou

Viu a luta que era o SUS
E toda a peleja do cidadão
Que todo dia pede a Jesus
Muita saúde e proteção
Fazendo promessa e levando cruz
Pra não morrer por omissão

Sonhando, ainda viu o seu filho
Ir à escola sem nenhum tostão
Confiando na merenda
Que no colégio sempre dão
Mas nesse dia não teve
Nem um pedaço de pão

Nesse sonho ele morava
Na periferia da cidade
Ali na terra se pisava
Pois não havia pavimento
Esgoto e nem calçada
Só barro, poeira e esquecimento

Pois cimento pra politiqueiro
Não serve pra fazer calçamento
Mas vira grana é ligeiro
Pra comprar apartamento
E o povo continua no lameiro
Na rua do esquecimento

Depois deste sonho real
Verbalino acordou do coma
E na cama do hospital
Começou a sentir o sintoma
De uma crise existencial

Sentiu na pele o sofrimento
Do povo que o elegeu
Sentiu profundo arrependimento
Dos malfeitos que cometeu

Seu Verbalino se recuperou
E quis ter honestidade
Por um tempo até tentou
Fazer política de verdade
Mas do sonho ele esqueceu
E voltou pra politicagem

O final dessa história
Não tem como ser feliz
Tendo a politicagem como escória 
Da política deste país

Desses homens de coração duro
Nem Deus, sonho ou doença
São capazes de amolecer
Essa pedra que os sustenta

Queria muito que no final
A história fosse diferente
Que pagassem pelo mal
Que fizeram a toda gente

Mas a história sempre é igual
Politiqueiro sempre é inocente
E o povo por sinal
A votar nunca aprende
Elege sempre o marginal
Que o engana facilmente

Não adianta nem campanha
Para conscientizar o eleitor
Porque nessa pobreza tamanha
Voto vira objeto de valor

E o eleitor o vende barato
na medida da sua pobreza
Que para muitos não é nada
Mas que para ele é riqueza

E assim, os Verbalinos do Brasil 
Continuam a praticar 
A política desonesta
E teimam em maltratar
A pobre da ética
Não param de roubar
E o que nos resta
É apenas lamentar.

Giano Guimarães


Política equivocada

A política no Brasil
É extremamente injustiçada
Pois é equivocadamente confundida
Com a política equivocada

O político também é injustiçado
Pois é confundido com o politiqueiro
Que diferente do político 
É um aproveitador do nosso dinheiro.

Giano Guimarães


Eleição no Brasil

Período de eleição é assim
Começa tudo com a convenção
Ali se organiza, se combina
E se cria a coligação

Os comitês ficam cheios
Será com que interesse?
Com de o partido apoiar
Ou um dinheirinho ganhar?
Talvez os dois, eu creio!

E no horário político 
Os candidatos usam a criatividade
Uns se fantasiam de super-herói
Outros choram de verdade
Apelam até pra Deus
Em nome da santidade

E aí vem a carreata
Nessa hora água vira gasolina
No posto ela se acaba
Mas a fila não termina
Todos querem um pouquinho
Do combustível da propina

Depois vem a passeata
É abraço e aperto de mão
Político tem que virar acrobata
Pra dar conta da adulação
Ainda tem os mau educados
Que de santinhos enchem o chão

E vão seguindo em frente
Nas casas batem nas portas
E dizem: conto com seu voto
E saem sorrindo e batendo
Aquele velho tapinha nas costas

É muro pintado pra todo lado
Bandeira agitada no sinal
É adesivo de candidato no carro
É propaganda em rede nacional
Tudo isso contribuindo pra danado
Com a poluição ambiental

Do debate na televisão
Não se aproveita nada
Só falta saírem na mão
De tanto trocarem farpas

E no palanque tem promessa
Tem reza, cantoria e oração
Discurso de todo jeito
Mentira lavada e enganação
Induzindo o povo ao erro
Na hora da votação

Então começa o discurso
Tem a palavra um sujeito
Com ar de homem direito
Segura o microfone na mão

Meus amigos e minhas amigas
Gente de minha nação
É com alegria e felicidade
Que me lanço nessa eleição
Conto com seu voto meu amigo
Venho lhe pedir com humildade
Sua confiança e colaboração
Pra melhorarmos a sociedade

Vou investir na educação
Incentivar os discentes
Aumentar a remuneração
E dar merenda decente
A essa grande população
Que tanto é carente

Vou dar casa popular
A saúde vai melhorar
Emprego vou gerar
A pobreza eliminar
Os buracos vou tampar
O pavimento vai chegar

E com a ajuda de deus conseguiremos
No fim conquistar essa vitória
Com seu voto contaremos
É sempre a mesma história
Que a cada dois anos vemos
Mas o povo não tem memória

Se tivessem lembrança
Não reelegiam político corrupto
E teriam mais desconfiança
Em época de eleição
Verificando a ficha
Dessa rama de ladrão.

Giano Guimarães


Vida de cão

Guerra toda semana
Na luta Marias e joanas
Pedros e Joaquins
Numa peleja sem fim

Pobreza cultural, social, coletiva, individual
Dois real por dia, que humilhação
Só dá pra comprar o mingau
Chega domingo e não tem nem o do pão

Essa é a guerra do cidadão
Na luta pela paz e contra a vida de cão
Lutando pelo sustento
Trabalhando pelo alimento
Vivendo no sofrimento, sedento

La em cima o banqueiro comendo lagosta
Contando os dólares rindo
Você aqui debaixo na bosta
Com um salário mínimo, que lindo

Guerra urbana, política desumana
Atitudes insanas
Passam por cima de tudo pela grana
Absurda realidade, Injustiça e maldade

Repressão, caos, aglomeração
Cidade entupida
Pobreza esculpida e solidão
Guerra do político contra o cidadão
Salários altos e o mínimo pra população

Na TV o BBB é só o que você quer ver
Não se preocupa em ler, aprender, conhecer
Na novela da vida real o que prevalece é o mal
Guerra e luta, a realidade é bruta
Sem cortes, sem troca de canal
Mas você se acomoda em casa
Dia a após dia e não faz nada

Enquanto isso aqui e no estrangeiro
O politiqueiro e o banqueiro
Sorriem o dia inteiro comendo caviar
Fartos de tanto mamar
Nas tetas do brasileiro.

Giano Guimarães


Placebos

De políticos placebos
O Brasil está cheio
Proferem discursos vazios
Sem nenhum efeito

Lançam ao vento suas palavras
De latrina fazem o ouvido alheio
Se escondem detrás de mascaras
Mentem e enganam sem receio.

Giano Guimarães




Perspectiva

Que perspectiva o cidadão tem
Se não teve educação
Se não nasceu rico
E vive na alienação?

Vai ser massacrado pelo sistema
Que é cruel e competitivo
Que sempre exclui o pobre
Mas mantêm no topo o rico  

O sistema é assim mesmo
E todos querem sempre mais
Não se bastam com o que tem
Não se contentam jamais

Os ricos consomem sem pensar
Até aquilo que não é necessário
Mas o pobre sente o pesar
De ter o vazio no armário

Hoje tenho um carro do ano
Amanhã quero um importado
Não importa se eu preciso
O que preciso é ser notado

Jogador ganha 500 mil
Professor ganha mil
E o povo vai sobrevivendo
Nesse cenário vil
Com uma educação febril
Levando fama de imbecil

O simples professor
Entra num financiamento
E fica trinta anos pagando
Um simples apartamento

Enquanto isso um jogador
Com apenas um mês de salário
Compra um prédio inteiro
Pra mostrar que milionário

E o cara que não estudou
Continuará até o fim
Do mesmo jeito que iniciou
Na mesma vida ruim

Sem cultura, sem leitura
Sem arte e sem bagagem
Apenas com a certeza
Que chegará ao fim da viagem 

Mas no fim das contas
Até quem estudou
Está sendo massacrado
Pois nada adiantou
Por tanto tempo ter estudado
Porque nada mudou
Pois o mercado é controlado
Quem cedo o criou
Fez de modo planejado
Como é o caso do professor
Que é sempre desprezado
Não é dado o seu valor
Mas é dado ao deputado
Que muitas vezes nem estudou
E tem salário de “diplomado”.

Giano Guimarães

Quadras políticas

A política poderia nos salvar
Se fosse colocada em prática
Ela tem tudo pra funcionar
Em uma nação democrática.

Hoje o menor crime que há
É roubar o dinheiro público
E pra isso só falta alvará
Em meio ao sistema corrupto.

O que é politicagem?
É a política da desonestidade
Da pura sacanagem
Da extrema deslealdade.

A política que desce
Ao nível da corrupção
É aquela que compromete
O futuro da nação.

Não votem em politiqueiros
Pois eles são velhacos
Desviam o seu dinheiro
E lhe chamam de palhaço.

A política que não
Distribui a riqueza
É mesma que mantêm
O cidadão na pobreza.

A política que age
Em cima do muro
É aquela que deixa
O país no escuro.

O palhaço da florentina 
É um cara muito esperto
Usou sua fama nacional
Para chegar ao congresso.

O patrão lucra demais
Esbanja tanto quanto tem
O empregado, desse lucro
Não recebe nem um vintém.

Eita povo incoerente
Que continua a alimentar
Esta prática indecente
De vender o voto popular.

Giano Guimarães

Basta ao Politiquismo

Cansamos do politiquismo
Do sorrateiro oportunismo
Do discurso do populismo
Que não passa de falácia

Quanta politiquice
Um mar de canalhices
Abusam das tolices
Na mais pura audácia

Vivem trocando favores
Esquecem os pudores
Ignoram os clamores
Negociam o que não é seu

Desprezam os eleitores
Pousam de senhores
Cometem horrores

Dizem: o céu é meu!

Giano Guimarães

Mazelas

A educação está estagnada
O governo diz que não!
Isso é conversa fiada
Para enrolar o cidadão

A educação no Brasil
Vai de mal a pior
Mas dos males
Esse não é o maior

A saúde é capenga
E funciona na marra
Falta médico e hospital
O SUS é uma barra

E sobre a pobreza
Onde ela diminuiu?
Tenho plena certeza
Que não foi no Brasil

Vejo pobreza em todo lugar
Na rua, no hospital e na escola,
Mas principalmente ela está
Lá bem no fundo da sacola.

Giano Guimarães


Politicagem II

A politicagem é cega e surda, mas não muda
Muda apenas de partido e de candidato
Não vê, não ouve, sempre fala
Ela não vê a ética na hora da roubalheira
Não ouve o povo depois da eleição
Não rejeita o discurso hipócrita e demagógico a qualquer momento.

Giano Guimarães


Politicagem I

A politicagem degenera a política
Denigre o verdadeiro político
Confunde o cidadão
Demagogiza o discurso
Desmoraliza o Estado
Falseia a verdade
Usurpa a dignidade
Maltrata a moral
E mata a ética

Giano Guimarães

Espaço dividido

Dentro da cidade existe
Um espaço bem dividido
Que claramente consiste
Em separar o pobre do rico

Nas planícies estão
As casas dos bacanas
Já nos morros se veem
As simples cabanas

O espaço é dividido
Entre mim e você
Entre o desprovido
E o homem polido
Que aparece na TV

O espaço é dividido
Pelo poder leviano
E está bem esculpido
Nos centro urbanos

Nesses centros se constroem
Grande projetos arquitetônicos
Arranha céus do capital
E shopping centers faraônicos

Uma cidade, dois mundos
De um lado o bairro nobre
No meio um abismo profundo
Do outro lado o bairro pobre

E o muro que separa
O pequeno do maioral
É o mesmo que mascara
A desigualdade social.

Giano Guimarães

Farinhas do mesmo saco

É época da mentira deslavada
Do sorriso alargado
Das promessas baratas
Do interesse desalmado
Do sonho da mamata
Com dias abastados

É nesse tempo, que tento achar a agulha no palheiro
Tento peneirar a farinha que é do mesmo saco
Me informo, pra não jogar no lixo, minha pequena ilusão
Que é de acertar meu palpite no azarão

Tenho até medo de votar
E apertar o dedo no botão
E que a maquina possa falar
Você votou num ladrão!

Giano Guimarães


O dono do mar

Conto com tristeza
A realidade deste lugar
Que padece da pobreza
Mesmo com tanta riqueza
Que é até difícil aceitar

Falo da terra do bigodudo
Sempre de terno, parecendo sisudo
Homem conhecido em todo lugar
Escreveu até um livro
Que muito bem produzido
É chamado o dono do mar

São décadas no poder
Já foi até presidente
Mas não conseguiu resolver
A Pobreza que é latente

Continua até hoje no poder
E parece que eternamente
Até quando o povo irá sofrer
Por conta dessa gente?

Giano Guimarães


Utopia

Como seria o Brasil
Se a política fosse outra
Se não fosse um celeiro
De algozes e déspotas
Do povo brasileiro?

Como seria se todos os políticos
Fossem honrados e honestos
Sujeitos retos e éticos
Homens distintos e sérios?

Como seria neste país
Se voto não fosse mercadoria
Se político cumprisse o que diz
Se em período de campanha
Cargo público não fosse usado
Como objeto de barganha?

E se não houvesse favorecimentos
Se não idolatrassem os privilégios
Se diminuíssem seus vencimentos
Se tivessem vergonha dos sacrilégios
Se esse meio não fosse imundo
Se as leis valessem pra todo mundo?

Aí os pobres não seriam tão pobres
Os ricos não seriam tão ricos
A Justiça social existiria
A educação aconteceria
Enfim, de fato, teríamos
Respeito à democracia
Só então a corda
Quebraria no meio
E se acabaria de vez
Com o jeitinho brasileiro
E com os rios de dólares
Indo para o estrangeiro.

Giano Guimarães


Política ilha

No coração do Brasil
está a política ilha
que de política vive
seu nome é Brasília

Não só de política vive
mas também de politiquilha
La se decide tudo
inclusive o que diz a cartilha

Nessa ilha ninguém é bobo
ali tudo se combina
quantas fatias terá bolo
e quem paga a gelatina

La se descasca o pepino
a batata e a tangerina
Se descasca até laranja
quando tudo se arruína

No Planalto Central
tudo se determina
Lá se criam as leis
e as aves de rapina

Lá muita coisa se faz
por detrás da cortina
Se planeja e se analisa
sorrateiramente na surdina.

Giano Guimarães


Flores dispersas

Na política nem tudo são males
Existem flores neste caminho
Mas é difícil encontrá-las
Em meio a tantos espinhos

Essas rosas não morreram
Pelo veneno da propina
Elas não se venderam
Mas ficaram sozinhas

Há aqueles que trilham
Nas veredas dessa arte
E não se desviam
Como a maior parte

Me refiro aos Leais
Que nunca desistem
Que não deixam os ideais
Acredite: eles existem!

São poucos e raros
E brilham na escuridão
Como diamantes caros
Merecem admiração.

Giano Guimarães


De baixo

Me perguntam de onde sou
Se da esquerda ou da direita
Se do centro ou da diagonal
Se do socialismo ou do capital

Digo que sou de baixo
Do chão que eles pisam
Do fundo do tacho
Do abismo que criam

Sou de baixo mesmo
Nascido no caos
Na fome e a esmo
Entre pedras e paus

Sou a mão de obra barata
O cachorro vira lata
Vitima da política ingrata
Desses homens de gravata

Sou do lado da razão
Penso com independência
Ando na contra mão
Da política da demência

Sou a pedra no sapato
Dos políticos canalhas
Sou aquele inconformado
Com os rasgas mortalhas

Sou a voz do indignado
Que ecoa diariamente
Que tenta ser calado
Sou o voto consciente

O politiqueiro despreza esse voto
Pois ama o bajulador
Que funciona por controle remoto
E depende de favor

Nem esquerda, nem direita
Me fazem caminhar
Somente minha consciência
É capaz de me guiar

Simpatizo com a coerência
Com os que amam a liberdade
Que caminham com prudência
E que apreciam a verdade.

Giano Guimarães